Existe um programa no canal GNT da TV a cabo chamado "Você é o que você come". A primeira vez que vi este título, pensei: "Então eu sou uma porcaria!"
Quando respondi isso, estava pensando nas "porcarias" que como diariamente: frituras, chocolates, bolachas, sanduíches. Mas pouco depois vi a resposta por outro ângulo: eu estava dizendo que eu era uma porcaria, estava falando de mim mesma, enquanto pessoa!!!
Não foi essa minha intenção, mas era isso que, de fato, eu estava achando.
E esse desamor por mim mesma atrapalha (e muito!) que eu consiga comer menos.
A prévia que eu dei no post sobre o início da minha compulsão já faz com que as pessoas imaginem o quanto foi difícil eu ter uma boa auto-estima. Na infância e adolescência, que são as raízes da construção da nossa auto-estima, eu fui uma garota triste, gorda, sem amigos e rejeitada. A realidade que tinha era a de que eu não era uma pessoa legal a ponto dealguém querer minha companhia ou bonita a ponto de alguém se interessar por mim.
Pelo contrário, os fatos mostravam que eu não era interessante, agradável ou boa o suficiente para ter amigos e ser aceita.
Mesmo com a mudança dessa minha realidade, essa raiz está plantada dentro de mim. E ela dá sinais mesmo quando eu não percebo. Se estou iniciando um relacionamento amoroso, o "diabinho" aparece para falar que com o tempo ele não vai gostar de mim, que eu não sou atraente, inteligente e especial.
E essa depreciação faz com que eu não me ame. E não me amando eu acabo sem me preocupar muito comigo mesma. E sem essa preocupação eu como; porque comendo eu me conforto da mágoa por não me achar uma pessoa boa, e também porque eu penso queeu não tenho nada a perder, e porque me culpo e me puno pela minha compulsão.
Ou seja, já que eu sei que o comer compulsivo me deixa mal, vou comer para que eu fique mal, pois eu não mereço ser feliz mesmo...
É engraçado como algo que eu uso para me dar carinho e me fazer bem é o mesmo que eu uso como castigo.
Esse pensamento chega a ser doentio, é horrível! Mas quanto mais eu como, menos eu me gosto. E sem eu me gostar, eu não tenho motivação para cuidar de mim... e aí como mais!!
domingo, 1 de abril de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário