sexta-feira, 27 de abril de 2007

* Véspera *

Véspera de feriado prolongado... Medo desses próximos dias... Com meus pais em casa e sem rotina, as coisas se tornam mais difíceis e tentadoras para mim.
Hj à noite já pediram pizza, e não consegui resistir. Espero ter força nesses dias...

quinta-feira, 26 de abril de 2007

* Texto de uma amiga *

Tenho uma amiga que adora escrever, e também sofre de compulsão alimentar. Então ela me mandou um texto e achei que seria interessante colocá-lo aqui, pois representa o que nós, pelo menos algum dia, pensamos...

Mais do que entender minha volúpia assassina e essa necessidade de comer sempre, comer mais e comer muito, queria entender onde eu estava com a cabeça quando meu corpo começou a engordar e eu não enxerguei.
Hoje tinha tudo pra ser um 3º dia perfeito, mas ontem a noite além da janta, comi um prato de aveia e agora, antes das 9h já comi, além do café,
10 bolachas água e sal e um batom.
Queria entender porque eu ajo assim, porque eu estou sempre a ponto de explodir. Porque eu não encontro um ponto de equilíbrio e foco num futuro magro?


Mas, sabe, não vou desistir por causa dessa burrada que eu fiz ontem a noite e hoje pela manhã. Tenho o dia todo pra reverter essa situação e ainda, tenho a vida inteira pra ser magra.

terça-feira, 24 de abril de 2007

* Para Amanda *

Parece que esse final de semana nós nos permitimos comer um pouquinho mais, né? Agora é ter força de vontade para fazer com que a gente consiga se controlar novamente. Afinal, tb não podemos sempre ter uma desculpa que nos permita comer. Em casos diferentes tudo bem, mas dentro de casa, no dia-a-dia, é bom que a gente não cometa exageros... Para o nosso próprio bem!!!
Estamos juntas nessa!!!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

* De volta...*

Foi mal pelo sumiço, estava viajando e nem deu tempo de postar antes de ir.
Foi aniversário da minha melhor amiga, lá no interior. Sabia que seria praticamente impossível resistir à tanta coisa boa.
Lembrei dos comentários do blog, sobre não cobrar tanto de mim mesma. Estava disposta a comer (tentando evitar os excessos desnecessários, claro) mas me permitindo algumas extravagâncias.
Não me arrependi, e agora volto para minha rotina e espero conseguir controlar minha compulsão.


AMANDA
Como foi o almoço na igreja?
Obrigada por estar sempre aqui...

quinta-feira, 19 de abril de 2007

* Para Amanda *

Oi querida! Saiba que tb já tenho o maior carinho por você! Muito legal termos estabelecido esse vínculo, e sei que isso é bom para nós duas! Obrigada pela participação e motivação para que eu escreva sempre aqui e continue tentando.
Estou bastante descontrolada esses dias, mas acho que tem influência da TPM tb. Tento não me culpar ou cobrar, mas penso que vou me esforçar para que isso não se repita.

Que bom que vc está animada... Boa sorte com o almoço na igreja! É bom ocupar a cabeça com as coisas, ficar empolgada, se dedicar a algo... Isso tira a gente da compulsão e do pensamento obsessivo em comida. Temos que buscar coisas que nos dêem prazer, preencham nossos momentos... Você está certa! Fico feliz em ver que está disposta, e com certeza vai conseguir voltar à dieta e perder os quilos que ainda faltam!!!

* Batalha na cabeça *

Leiam esse texto:


Achei muito interessante quando ele disse que a maior batalha estava em sua cabeça. E que a satisfação é encontrada em amigos e família, e não na comida, como os compulsivos acreditam.

Esse é mais um exemplo de que, com a força de vontade, somos capazes!

quarta-feira, 18 de abril de 2007

* Para Amanda *

Obrigada pelos conselhos... Você tem razão... Quando temos essas coisas em casa, cair em tentação é bem mais fácil.
No meu caso é um pouco difícil, pois meus pais e minha irmã dizem que não são obrigados a deixar de comer por causa de mim. E como eles não têm compulsão nem problemas de saúde ou com a balança, comem muita besteira.
Mas enfim, um dia de cada vez. Tenho que pensar que, se consegui ficar 3 semanas bem, consigo "só por hoje"...
Senti um carinho super grande ao ler seu recado... É bom saber que alguém se identifica e se preocupa com a gente. Espero também poder estar te ajudando, e ainda vamos contar muitas vitórias nossas por aqui...

* Texto super interessante!!! *

Retirado do site:
Vale a pena entrar nesse link, tem uns textos super legais sobre o assunto.
O que resolvi colocar aqui tem a ver com o que estamos conversando ultimamente... Compulsão, culpa, baixa auto-estima, exigir muito de si mesma... É grande mas muito interessante, confiram!


Algumas pessoas prejudicam outras e pedem perdão, que pode ser aceito ou não; mas há algumas atitudes em que o único prejudicado é você mesmo. Se você vive apontando seu dedo indicador constantemente para seu próprio nariz, cuidado!

A culpa varia de acordo com crenças e valores que cada um traz consigo desde a infância, e que muitas vezes não corresponde mais aos valores e crenças atuais. Culpa, remorso, arrependimento, são inimigos constantes de algumas pessoas e traz junto a humilhação, vergonha, o medo e a maior conseqüência: a autopunição.

Perdoar a si mesmo talvez seja um dos maiores desafios, pois está relacionado com a capacidade - e leia-se também dificuldade - que cada um tem de se amar e se aceitar. As pessoas não se amam por acreditarem terem feito algo muito terrível, às vezes isso até corresponde à verdade, mas muitas vezes não.

Algumas chegam ao máximo de se culparem por terem nascido e sentem-se como um grande fardo. Para compensarem essa rejeição sentida em algum momento de sua vida, passam a vida tentando mostrar aos outros o quanto são úteis, importantes, como que para provarem para si próprias que são merecedoras da vida.

Procure observar se busca aprovação e reconhecimento de pais, amigos, das pessoas em geral, se está sempre à disposição de todos, cedendo em quase tudo, pela necessidade inconsciente de agradar, ser aceito, mas que muitas vezes confunde-se com a desculpa de querer ajudar e que na verdade oculta a busca pelo amor e atenção.

Por exemplo, as pessoas por não se sentirem amadas quando crianças e não acreditarem em si mesmas passam a ignorar os próprios sentimentos e recorrem à fuga pela comida, como forma de compensação e obtenção do prazer. Com isso, se culpam e como punição, engordam.

Não conseguindo eliminar alguns quilos, mais culpas e assim, desviam o foco da origem de tudo para a comida. O foco passa a ser emagrecer e não o que as levou a engordar. Negam a si mesmas a subnutrição emocional que sentem e que pode levá-las a sentimentos de vazio e fome.

A comida passa a representar uma maneira de alimentar e preencher um vazio emocional. Ou seja, inconscientemente desviam a atenção dos problemas para a necessidade de emagrecer, os problemas continuam ou aumentam por não serem resolvidos e acabam consumindo mais calorias do que o corpo necessita, engordam, culpam-se, punem-se, criando-se assim, um círculo vicioso.

O perdão oferece saída para esse círculo vicioso, como uma escolha consciente de mudança. Será que a verdadeira causa está sendo considerada? Do contrário, tudo tende a piorar. Será que essa fome, esse vazio, não seria a necessidade, também inconsciente, de amor? É preciso perceber que a comida não será transformada em afeto, amor, mas apenas em gordura quando consumida de forma descontrolada. Por que não buscar outras fontes de prazer?

Uma maneira de cultivar a culpa é estar sempre exigindo perfeição de si mesmo. A anorexia e bulimia são exemplos disso. Nunca há satisfação consigo mesmo, gerando culpa, insatisfação e uma enorme dificuldade de se perdoar. Tudo que faz poderia ser melhor. Não importa o que faça ou conquiste. Ou o pior, não importa quem se é, parece que nunca é o bastante.

Para se livrar disso tudo faça uma lista de tudo aquilo que você se culpa, aquilo que fez e não fez. Seja honesto consigo mesmo. Depois, pense sobre as motivações que o fizeram fazer certas escolhas, agir de determinada forma e, ao invés de se culpar, punir ou se castigar, comece a lembrar que muitas escolhas foram feitas porque era o melhor que se podia fazer naquele momento e que na verdade, tudo foi avaliado com valores da época e que nem sempre serão os mesmos neste momento. Nunca julgue situações passadas com valores do presente.

Para perdoar-se é preciso rever todas suas crenças, valores, que muitos esquecem que com o tempo podem, e devem, se modificar. Analisar o que fez ou deixou de fazer para poder mudar e crescer é válido, como sentir remorso pela dor que pode ter causado a alguém e pedir perdão. Mas se esse remorso começar a dominar sua vida, estará alimentado seu papel de vítima e a autopiedade. Livre-se disso. Você deve aprender e crescer com a experiência passada e isso não quer dizer se punir eternamente por algo já feito.

Perdoar a si mesmo exige uma completa honestidade e integridade para que se alcance a cura de tantos males, de tanta falta de amor-próprio. É um processo de reconhecer a verdade, assumir a responsabilidade pelo que fez, aprender com a experiência, reconhecer os sentimentos que motivaram determinados comportamentos, abrir seu coração para si mesmo, ouvir seus medos, curar certas feridas e isso você pode conseguir sendo amoroso e responsável consigo mesmo.

Você pode e deve se livrar de certos padrões de pensamentos e sentimentos. Mude o que não acredita mais, livre-se de tudo que te faz mal, cure a ferida que mais lhe dói, cure sua vida emocional. A verdadeira cura é fazer as pazes consigo mesmo. O poder curativo do perdão e do amor talvez seja o remédio mais poderoso que temos. E está nas mãos de cada um de nós. E você pode começar com você mesmo!

terça-feira, 17 de abril de 2007

* chocolate...*

Durante o dia comi mamão, vagem, brócolis, palmito, peixe grelhado, fibras com leite desnatado.
E agora, quase 23h, a vontade falou mais alto e devorei metade de um ovo de páscoa de chocolate ao leite com os dois enormes bombons trufados que vieram dentro.
Mesmo tendo ficado triste por ter comido bastante antes de ontem e ontem, hoje eu fiz essa besteira... A vontade de comer chocolate veio muuuuuuuuuito forte... Mas além de eu não poder, por causa da minha compulsão e do meu peso, eu não posso por causa da minha saúde, que ainda está debilitada.
Que raiva de mim!

* Para Carlinha, Mari e Amanda *

Antes de tudo, obrigada pelo apoio e pelas palavras. Realmente temos que pensar que as fraquezas fazem parte da vida, e que é só com calma e dedicação que vamos conseguir mudar os hábitos. Como a Amanda disse, é pouco tempo para que o cérebro e o corpo se acostumem com novos hábitos alimentares, já que os antigos duram, no meu caso, há 24 anos... Inclusive meu estômago está doendo muito. Minha psicóloga falou que ele deve estar estranhando o meu novo modo de comer, com muito mais verduras e legumes, e muito menos gordura e açúcar.
Também concordo com a Carlinha, que diz que não devemos ser tão perfeccionistas e radicais. O problema é que eu perco totalmente o controle quando como um pouquinho de alguma "besteira". Mas também sei que, a partir do momento que eu não me cobrar tanto, isso não vai ser tão difícil. Como a Carlinha disse, quando ela gostou mais de si mesma foi mais fácil para lidar com a compulsão.
Sabe, acho que muita da nossa compulsão está na carência afetiva e baixa auto-estima. Vou tentar escrever um texto legal sobre isso dia desses... Mas, para mim, a comida serve de companhia e me dá prazer. Além disso, como já não gosto de mim e do meu corpo, não vejo muito estímulo para agir diferente.
Mas agora estou vendo que preciso me gostar e me cuidar.
E espero que esses comentários tenham servido também para a Mari, que disse entender sobre isso.
Apesar de sermos todas diferentes e com histórias diferentes, sei que todas nós temos muito em comum.
Amanda, boa sorte nessa sua volta à dieta e, meninas, vamos tentar continuar trocando experiências e ajudando umas às outras, ok?

segunda-feira, 16 de abril de 2007

* Perdi a batalha, não a guerra *

Domingo, almoço em família, inclusive com a presença de um tio de MG.
Na hora da sobremesa, resolvi experimentar um pouquinho do doce de leite.
À tarde, resolvi comer um pedacinho da colomba pascal. E depois mais um pedacinho.
Afinal, era domingo, família reunida, podia abrir mão do meu controle alimentar apenas um dia.
Acontece que isso me fez ter vontade de comer chocolate, e comi.
À noite meu pai comprou esfihas, e não resisti.

Hoje, no almoço, não ia deixar estragar o canelone. Abri mão da salada e comi uma massa recheada e com molho (coisa que, além de engordar, não posso por causa da minha saúde).
À tarde, mesmo sem estar com fome, fiquei pensando na colomba pascal do dia anterior. Com recheio de mousse de chocolate e uma cobertura de chocolate espessa e deliciosa, comi um pedaço. E mais um, e mais um.
Depois caí na frustração, decepção, e vergonha de mim mesma.

Estava há 3 semanas controlada, e coloquei tudo a perder.
Vi que não sou o tipo de pessoa que consegue dizer "vou comer só um pouquinho", e pronto. Como só um pouquinho. Eu como muito, como descontroladamente, como compulsivamente.
E agora a vontade de comer guloseimas, e comer sem fome, e comer coisas que não posso está muito forte em minha cabeça.
Além dos sentimentos negativos pelo arrependimento de ter fraquejado.
Vou começar tudo de novo, tentando resgatar a força que tinha até dias atrás. Se consegui por um tempo, consigo novamente.
Mas tive a comprovação de que comigo tem que ser radical. Não posso me permitir um pedacinho que seja. Não tenho controle.
Estou triste comigo mesma.

sábado, 14 de abril de 2007

* Recadinhos *

Amanda: Obrigada por sempre estar aqui, e torcer por mim assim como eu torço por você. Alguns dias são mesmo mais difíceis, mas só de vc se importar com o assunto, ler a respeito e tentar já significa que vc não quer se entregar à compulsão. Ou seja: a força está dentro de você, é só conseguir ir colocando cada vez mais para fora isso... E não se sentir culpada quando não resistir. Acontece.. E acho que a culpa ajuda a gente a ficar mais desapontada e ter vontade de comer. Claro, você também não pode ser permissiva a ponto de comer sem parar e achar que está tudo bem. Mas não exija tanto de você. Não se esqueça: um dia de cada vez...


: Amiga!! A única amiga que sabe da existência desse blog porque é a única que eu sei que entende e pode dividir isso comigo. Como já te falei várias vezes, não escolha uma vida tão ruim para você mesma. Você tem potencial para ser muuuuuuuuito feliz e fazer feliz quem estiver ao seu lado. Sei que a compulsão é muito triste, mas não faça disso o motivo maior da sua vida.


Mãe: Que bom que achou meu blog e veio ler um pouco... Volte sempre e obrigada pelo comentário!
Eu sofro de compulsão alimentar há mais de 10 anos, e só agora resolvi tentar parar. Estou há 3 semanas controlada, e isso para mim é uma vitória enorme. Nunca consegui ficar tanto tempo, e de forma tão disciplinada. Acontece que eu estou doente, e tudo por causa da minha má alimentação. Ou seja: cheguei no meu limite. Vi que estava estragando meu corpo e minha saúde, e precisei mudar na marra.
Espero que as pessoas não precisem de situações extremas para isso, pois agora estou indo em vários médicos, fazendo exames e com a saúde debilitada. Mas isso serviu para eu ver que, se eu quero, eu consigo. E eu passei a vida inteira dizendo que não conseguia, que comer era mais forte do que eu. Mas não é.
E assim como não é para mim, acredito que não seja para ninguém.
Acho que a gente só precisa buscar algum incentivo. Um objetivo que faça ter determinação e comprometimento a ponto de querer ter esse controle.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

* Importância de se alimentar bem *

Esses dias estava bastante preocupada, com a saúde debilitada e suspeita de câncer. Passei angústia e muita preocupação.
Hoje, no médico, ele disse que tudo o que estou tendo é por falta de vitamina B. A inflamação no gânglio, os machucados na boca... Tudo por causa da má alimentação.
Estou mudando, mas não são duas semanas que me farão mudar 24 anos de compulsão, comilança e "orgia" alimentar.
Fiquei muito feliz por não ser nada sério, claro, mas fiquei pensando no quanto a alimentação é importante e eu fechei os olhos para isso.
Achava que comer um sanduíche do MC Donald´s era muito mais prazeroso do que um prato de salada. Preciso concordar que o gosto é muito melhor, mas mesmo assim não é vantajoso.
Os diversos lanches do MC Donald´s e a pouquíssima salada hoje fazem com que eu esteja doente, passando por médicos e preocupada.
Não quero mais comer besteiras, não quero mais estragar minha saúde apenas por uns minutos de prazer.
Minha vida vale mais. Preciso cuidar de mim, ser saudável e não precisar comer, comer, comer e comer para me sentir saciada.

***A.C.O, continue se esforçando também... Nossa saúde, nosso corpo e nosso bem estar em primeiro lugar!!! Comer compulsivamente nos traz uma felicidade instantânea, mas precisamos conquistar a felicidade a longo prazo.
Estou "pagando" pelos meus excessos, e se Deus quiser logo logo serei uma outra pessoa!!!

segunda-feira, 9 de abril de 2007

* Para A.C.O *

Amanda, origada por vir sempre aqui!

Pelo jeito estamos conseguindo, né? Fico feliz por nós duas.
Parabéns por ter resistido aos bolos. Essas provas são complicadas, mas quando conseguimos é muito bom também!!!!

Quanto aos chocolates, se você já estava disposta a comer e soube fazer isso com controle, ótimo! O que gera angústia e tristeza na compulsão é o fato da gente comer sem vontade, comer com exagero, comer até fazer mal.
Caso contrário, estamos fazendo como as pessoas "normais"... Comendo moderadamente, às vezes, em ocasiões especiais, e sem ficar com remorso, culpa ou raiva por ter perdido o controle.

* Só por hoje *

Sempre soube que, em grupos como o AA, um dos lemas é "Só por hoje", para que o participante consiga, a cada dia, resistir à dependência.
Adorei isto, e está sendo bom. Um dia passa rápido, e determinar que naquele dia não vou cometer excessos é um incentivo.
No AA, eles também falam sobre "evitar dar o 1º gole". Também tento evitar dar a primeira mordida.
Já anotei tudo o que comia, e os motivos de comer, e vi que em muitos casos um brigadeiro levou à uma goiabada, que levou a outra coisa... Comer dá vontade de comer ainda mais. Portanto, se eu não tiver com fome, vou tentar buscar outros passatempos, e não aproveitar a comida para me ocupar por alguns minutos.

domingo, 8 de abril de 2007

* Para A.C.O *

Antes de qualquer coisa, FELIZ PÁSCOA!!!
Fiquei muito feliz em saber que você está conseguindo se controlar... Parabéns!!!!
Vamos lembrar sempre uma da outra... Pensar que temos que nos dar forças, apoiar e tentar não fraquejar.
Algumas vezes, é claro, vai ser meio difícil. E não é vergonha alguma... Aí a gente busca o incentivo uma da outra e continua, ok?


Acho que você está certa... Não tem que se privar totalmente, deixar de comer algo que goste. Mas faça isso mesmo: coma menos, corte as calorias.
O que me mata é não ter limites.. É comer exageradamente!!!
Se você consegue se controlar, não tem mesmo que abrir mão de um docinho de vez em quando.


No meu caso, não estou comendo porque ainda preciso dessa fase de "abstinência". Sei que uma mordida no chocolate me faria comer o ovo da páscoa inteiro, de uma vez só.
Não tenho limites.
Mas estou tentando mudar o meu modo de encarar a comida e as minhas vontades. Logo também conseguirei comer, você vai ver.


Espero que tenha comido os chocolates com o maridão e curtido bastante esse feriado.
Agora a semana começa e a nossa "luta" também.
Vamo que vamo, só por hoje!!!!

* Uma pequena vitória *

Acredito que cada dia que consigo vencer a compulsão é uma pequena vitória.
Quer dizer, a vitória é grande, pois só eu sei o quanto tenho que me esforçar e controlar meus pensamentos. Mas é pequena porque a cada dia é uma nova conquista, um obstáculo superado.

Esse feriado na praia, que pensei que fosse ser irresistível, serviu para me mostrar que, quando eu quero, eu consigo.
Experimentei diversos tipos de salada. Verduras e legumes que eu nem conhecia. Percebi que posso me sentir satisfeita, saciada e comer com prazer sem precisar encher o prato de arroz, frituras e gorduras.
Consegui não comer doces, e o mais engraçado foi que não senti a falta que imaginava. E nem o fato de todos comerem ao meu redor me fez ter vontade.

Claro, até tive vontade, mas acho que foi mais pelo costume de saber que eu sempre comi isso. Então pensava no meu corpo, minha saúde, e nos benefícios que estou tendo com essa mudança na alimentação: minha pele está mais lisa, vou ao banheiro diariamente, meu sono está mais regulado... E, assim, não fraquejei.

É muito bom sentir orgulho de mim mesma. Nem eu acreditava que conseguiria, mas resolvi me dar esse voto de confiança. Que bom, não me decepcionei!!

quinta-feira, 5 de abril de 2007

* Prova de fogo *

Páscoa = muuuuuuuitos chocolates. Minha mãe é professora, ganha ovos dos alunos.
Páscoa = vou viajar para a praia, e ficar hospedada num hotel com café da manhã, almoço e jantar deliciosos!!!
Páscoa = tortura para mim!!!

Esse feriado e os demais dias vão ser muito complicados, acredito. Minha mãe ganhou muitos chocolates, colombas, bombons. E eu nunca resisti a isso. Mas esse ano vou ter que resistir.

Além do mais, daqui a pouco vou viajar. Na praia, o que tem para comer são só as besteiras das barraquinhas e os sorvetes por quilo que eu tanto adoro. Mas também não vou comprar nada, em nenhum desses lugares.

No hotel, a fartura é muita. Sempre fui para lá pensando apenas em comer. Mesmo se o tempo não tivesse bom não havia problema.. O que eu queria era comer!

Agora vou mudar o meu modo de pensar. Comer bastante salada, não comer a sobremesa, não ficar beliscando à tarde. Estou com medo de não resistir. Vou ter que ser muito, muito, muito forte.

Se eu conseguir passar por essa aprovação, vou ser uma pessoa mais realizada, pois conseguirei provar para mim mesma que tenho força.

Espero não ter que voltar com um post decepcionante para mim e para quem torce por mim.

Boa Páscoa!

* Influência familiar *

Alguns relatos aqui já mostraram um pouco da influência da minha família: a irmã que dá as sobras dela para que eu coma, os pais que trazem lanches apetitosos todas as noites...
Além disso, nossos hábitos alimentares não são saudáveis. Minha família não está acostumada a comer frutas, verduras e legumes. Então eu cresci acostumada a comer bolacha, chocolate, pizza e miojo diariamente.
Inclusive eu não acho que coma tanta besteira assim. Na minha realidade familiar, estou super adaptada e sou boa de garfo. Mas quando vou na csa de amigas vejo o quanto eu não como alimentos saudáveis e consumo muito mais doces diariamente do que a maioria.

Ter sobremesa é normal em casa. É como ter arroz, feijão... Não exise um almoço sem que haja sobremesa! Assim como não existe uma compra do mês sem a aquisição de leite condensado, sorvete, bolacha, miojo e batata palha.

Tenho uma amiga que diz que abrir o armário da minha casa é como ir à uma bomboniere. E eu juro que não imaginava que exagerávamos nessas coisas, pois para mim isso sempre foi o normal.
Mas ao contrário do que provavelmente vocês possam estar pensando, minha família não é composta por gordinhos. Pelo contrário, eu sou a única que brigo com a balança.
Quando eu digo que não vou comer, meus pais dizem para eu não encanar com isso... Para eu aproveitar, comer, pois não sou gorda e não devo passar por privações. Eles dizem que meu corpo está ótimo e eu devo aproveitar para comer coisas gostosas. Não sei se eles realmente me vêem assim, ou se falam isso porque querem ser legais e ficam comdó de me verem fazendo esforços e passando vontade.

Por um lado fico feliz com o que eles falam, pois eu já me censuro bastante, e se eles fizessem isso acho que eu não iria aguentar a pressão. Mas por outro lado fico chateada porque me sinto sem apoio.
Às vezes digo que vou controlar minha alimentação e meu pai chega do trabalho trazendo um lanche suculento ou propondo de irmos comer uma pizza. Como não sou forte o suficiente, claro que não resisto à esta tentação tão explícita.

Muitas vezes já pedi para eles me ajudarem, mas o que ouço é que eles não sabem como fazer, e que é sacanagem queeles tenham que se privar e mudar os hábitos alimentares por causa de mim.
De fato... Eles não têm noção do quanto eu como! Eles não estão presentes nos meus surtos compulsivosde comilança desenfreada, então só o que eles vêem é uma pessoa como eles, que come as mesmas coisas que eles.
E, além do mais, eles não são mesmo obrigados a mudar os hábitos ou fazerem dietas só para me apoiar. Não tem como minha mãe não comprar doces, sendo que ela ama, ou não comprar a batata palha que minha irmã adora.
Vou ter que buscar ainda mais força e motivação para deixar de comer compulsivamente. Mesmo morando numa casa que "pede" para que eu não pare de comer um só segundo.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

* Para A.C.O *

Também estou gostando muito das nossas conversas. É interessante ver como as coisas se repetem, como nosso jeito de passar pelas situações é semelhante, e acredito que seja característica de qualquer pessoa com compulsão alimentar. Por isso criei o blog, um lugar para reunir quem possa sentir e pensar coisas iguais, apesar de ter vidas muitas vezes tão diferentes.

A influência da família tem um peso muito grande nisso tudo.
Até já criei um texto sobre isso, acho que amanhã escreverei aqui.
Os hábitos familiares fazem a gente se acostumar com essa realidade de comer muito, e a gente acaba nem percebendo o quanto essa alimentação não é saudável ou nos faz mal.
Quando você quer mudar isso, encontra a compulsão, porque aí acaba percebendo o quanto já está dependente da comida.

O comer em família tem outras relações... Tem a ver com carinho, união, tradição. E isso faz ser ainda mais difícil ter o controle.
Como já contei aqui, muitas vezes meus pais me dão algum doce como forma de me agradar, pois sabem o quanto eu gosto. É o modo de demonstrar carinho, e a minha recusa faz parecer que não aceito esse carinho.
Estou tentando ser forte porque não posso comer para satisfazê-los, sabendo que isso trará consequências ruins para mim depois...

Mas infelizmente é difícil morar numa casa em que todos comem com fartura e acham isso "normal".
Porém não é impossível, como nada na vida...
Podemos fraquejar, mas não vamos desistir...
Só por hoje!!!

* Dó do desperdício *

Como já contei aqui, minha irmã sempre foi "chata" para comer. E com isso eu acostumei desde pequena a comer os restos dela. Se íamos numa lanchonete e ela não aguentava mais, eu comia para não ter que jogar o lanche fora. Se ela comprava algo e não gostava, ela me dava.
Quando algum produto estava com a validade quase vencida, eu comia para não ter que jogar fora.
Sempre tive dó de desperdiçar comida, e comer nunca foi um sacrifício para mim.

Quando eu exagero no meu prato, eu como mesmo assim. Nunca deixo jogar comida fora.
Algumas vezes eu até estou disposta a comer algo mais light à noite, mas aí meu pai chega com croissant ou esfiha, e para que ele não tenha que jogar fora o que troxe para mim (e também para ele não ficar chateado por eu não comer, sendo que ele fez isso para me agradar) então eu como.

Frequentei por um tempo um grupo de reeducação alimentar, e lá ouvi uma dica interessante: não deixar coisas de comer expostas em cima da mesa, pois a tendência é que, ao passarmos, peguemos algo para beliscar. A médica falou que fazer isto e também comer pordó de jogar fora faz com que a gente pareça um lixinho, onde aquilo que ninguém mais quer acaba entrando.

Nunca tinha pensado assim. Eu realmente pareço um lixinho, colocando para dentro os "restos".
Eu deveria ter dó de mim, que só engordo com isso (além de não ser saudável). Mas eu ainda tenho mais dó da comida, fazer o quê...

terça-feira, 3 de abril de 2007

* Fome X Vontade de comer *

Um grande passo no processo é conseguir detectar se temos fome ou vontade de comer. Muitas vezes achei que comia que nem uma louca porque, se isso acontecesse, eu ia sentir fome. Depois eu vi que eu é que tinha vontade de comer.

Ainda não me ajudou muito conseguir separar, pois a vontade prevalece e eu sempre como exageradamente. Mas é porque ainda não consigo respeitar os meus limites e o que meu organismo pede. Sei que posso continuar comendo as coisas que eu gosto se eu souber parar quando estiver saciada.

Mas mesmo assim eu me forço comer mais e mais e mais. É uma necessidade estranha, como se eutivesse que preencher com a comidaum vazio que há dentro de mim. Resta saber que vazio é esse... O que será que me faz precisar comer tanto?

Há o sentimento de prazer e felicidade, mas ele é muito rápido. Logo vem a tristeza. É como a drogadição, e embora a dependência química de ambos seja difícil de ser comparada, a dependência psicológica é equivalente.
Mesmo sem fome tenho vontade de comer.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

* Para Lica e A.C.O *

Lica: seja bem-vinda ao blog, obrigada pelo comentário! Entendo quando você diz ser escrava da comida e ao mesmo tempo ter a paranóia de emagrecer.
Acho, inclusive, que é isso que nos desgasta tanto.. Essa constante briga interna.. Pq se não houvesse a preocupação em emagrecer, não daríamos tanta importância ao comer compulsivo. Mas por outro lado comer é tão prazeroso, que acaba sendo exagerado e afetando no nosso corpo.
Que difícil, não? Mas não é impossível...
Se você já emagreceu 10 kg, é pq tem força de vontade suficiente... É só continuar assim. Vamos tentar nos ajudar, volte mais vezes, fiquei feliz por você ter dividido um pouco da sua história aqui...

A.C.O: com certeza as preocupações do dia-a-dia fazem com que a gente coma mais e mais e mais. Na TPM eu tb fico com um apetite incontrolável, mais do que o normal! Acontece que, se já temos tantos problemas, a compulsão aparece para nos aliviar disso momentaneamente, mas para nos causar mais um problema depois. É mais uma coisa para a gente se preocupar, ficar triste.. E quando vemos, já estamos comendo novamente.
Me identifiquei muito quando você disse que não toma remédios pois acredita que temos que ter o controle de nossas vidas.. Penso exatamente igual a você!!! Talvez até fosse mais fácil se tomássemos remédios, mas aí só estaríamos mudando a dependência.
Mas assim como disse para a Lica, tente pensar que você conseguiu chegar até aqui. Já fez um ano de dieta, falta pouco para estar no peso que deseja, tem conquistas (pois falou de trabalho, casamento...) ou seja: tem capacidade para conseguir ser forte.
Vamos tentar enfrentar isso juntas... SÓ POR HOJE!!!

* Bola de neve*

Como as demais compulsões, a compulsão alimentar cai num ciclo vicioso: quanto mais eu como, mais eu fico mal / triste / culpada / ansiosa...
Quanto mais eu fico assim, mais eu como!

Além disso, se eu como um brigadeiro, tenho vontade de comer uma bolacha. Aí eu como uma bolacha e tenho vontade de comer um pão de queijo... E por aí vai! Eu como uma coisa pensando na próxima.
Vocês também são assim?

Pelo que vi, no CCA eles seguem o lema do "Só por hoje", para que a cada dia a gente possa evitar essa comilança desenfreada. No meu caso, o meu lema é "só por amanhã", porque eu sempre acredito que no dia seguinte eu irei me controlar.
Não é desculpa não; eu acho de verdade que o próximo dia será diferente e eu conseguirei ser contida.
Mas o "amanhã" nunca chega...

OBS: Escrevi este texto a alguns dias atrás... Graças a Deus, por enquanto estou conseguindo seguir o lema do "Só por hoje" e ter força de vontade. Mas esse texto reflete o pensamento que eu sempre tive.

* Final de semana: muita força de vontade! *

(Texto escrito ontem, domingo)

Esses dois dias estão sendo particularmente difíceis para mim.
Ontem, amigo secreto de chocolate, todos abrindo seus ovos e distribuindo bombons. Eu apenas olhando, sem aceitar um só chocolate.
Infelizmente, não tenho o controle de "só um". Sei que, se eu começo, não consigo mais parar.
Foi difícil, mas consegui resistir.

À noite comi 2 pedaços de pizza. Minha única estripolia nestes 4 dias em que me propus a ser uma pessoa controlada. Fiquei com remorso, 1 pedaço já me deixaria satisfeita, mas também vou tentar não ser tão carrasca comigo mesma, e dar destaque aos chocolates que não comi.

Hoje, almoço de família, na hora da sobremesa me retirei da mesa. Meus pais ficaram insistindo para que eu comece apenas um pedacinho da torta de limão.
Meu pai, chateado, disse que então era para jogar fora, pois ele havia comprado para mim.
Eu briguei, dizendo que já havia pedido para que eles não comprassem mais nada para mim.

Fiquei muito chateada, é horrível falar "não" para um doce, e mais horrível ainda sentir que estou recusando um carinho do meu pai. Sinto que ele vai ficar triste, sei que ele comprou para me agradar, mas quero dar um basta nessa história de comer porque meus pais compram para mim, e comer para agradá-los.

Sei que a intenção deles é me ver feliz, e que comprar coisas para comer é um modo de me agradar. Mas os resultados não me agradam. Se eu tivesse comido apenas um pedacinho na sobremesa, provavelmente até o fim do dia eu já teria devorado a torta inteira.

domingo, 1 de abril de 2007

* Para A.C.O *

Obrigada pelo primeiro comentário que recebi no blog...
Espero que venha, sim, mais vezes aqui. Que possa se identificar com algumas coisas, compartilhar outras, e com isso possamos nos ajudar.


Gostaria que com o tempo o blog fosse mais conhecido, e outras pessoas também participassem.
Mas só de saber que alguém soube um pouco sobre mim, compreendeu o que passo e confiou em falar um pouco de si, para mim já é motivo de grande felicidade!!

* Auto estima *

Existe um programa no canal GNT da TV a cabo chamado "Você é o que você come". A primeira vez que vi este título, pensei: "Então eu sou uma porcaria!"

Quando respondi isso, estava pensando nas "porcarias" que como diariamente: frituras, chocolates, bolachas, sanduíches. Mas pouco depois vi a resposta por outro ângulo: eu estava dizendo que eu era uma porcaria, estava falando de mim mesma, enquanto pessoa!!!

Não foi essa minha intenção, mas era isso que, de fato, eu estava achando.
E esse desamor por mim mesma atrapalha (e muito!) que eu consiga comer menos.

A prévia que eu dei no post sobre o início da minha compulsão já faz com que as pessoas imaginem o quanto foi difícil eu ter uma boa auto-estima. Na infância e adolescência, que são as raízes da construção da nossa auto-estima, eu fui uma garota triste, gorda, sem amigos e rejeitada. A realidade que tinha era a de que eu não era uma pessoa legal a ponto dealguém querer minha companhia ou bonita a ponto de alguém se interessar por mim.
Pelo contrário, os fatos mostravam que eu não era interessante, agradável ou boa o suficiente para ter amigos e ser aceita.

Mesmo com a mudança dessa minha realidade, essa raiz está plantada dentro de mim. E ela dá sinais mesmo quando eu não percebo. Se estou iniciando um relacionamento amoroso, o "diabinho" aparece para falar que com o tempo ele não vai gostar de mim, que eu não sou atraente, inteligente e especial.
E essa depreciação faz com que eu não me ame. E não me amando eu acabo sem me preocupar muito comigo mesma. E sem essa preocupação eu como; porque comendo eu me conforto da mágoa por não me achar uma pessoa boa, e também porque eu penso queeu não tenho nada a perder, e porque me culpo e me puno pela minha compulsão.
Ou seja, já que eu sei que o comer compulsivo me deixa mal, vou comer para que eu fique mal, pois eu não mereço ser feliz mesmo...

É engraçado como algo que eu uso para me dar carinho e me fazer bem é o mesmo que eu uso como castigo.
Esse pensamento chega a ser doentio, é horrível! Mas quanto mais eu como, menos eu me gosto. E sem eu me gostar, eu não tenho motivação para cuidar de mim... e aí como mais!!

* Como tudo começou *

Não sei direito a origem da minha compulsão alimentar. Lembro muito pouco da minha infância, talvez por ela ter sido tão triste que o melhor mesmo fosse se eu não lembrasse de praticamente nada.
O que sei é que, quando bebê,eu não aceitava os alimentos. Minha mãe chegou a achar que eu fosse morrer, pois tudo o que ela me dava era posto para fora. Até que ela começou afazer umas sopinhas e eu aceitei. Aceitei bem demais, inclusive, e desde então passei a ser "boa de garfo".

Minha irmã, ao contrário, era bem seletiva, e comia pouca coisa. Percebi, atravésda minha terapia, que talvez eu comesse bastante para agradar meus pais e mostrar que eles não precisavam se preocupar comigo, já que em muitos outros aspectos eu semprei dei muito trabalho e preocupação.
O tempo foi passando e, como já era previsível pelo meu histórico alimentar, tornei-me uma adolescente gorda. Não sei se cheguei a ser obesa, acho que não, mas era muito gorda. Esse foi um dos fatores agravantes para que eu não fosse aceita em meu colégio. Pela minha aparência física, fui discriminada e isolada.

Assim, como não tinha amigos e era muito triste, passava minhas tardes assistindo TV e comendo bolachas recheadas. Acredito que foi nesse momento que, de fato, a compulsão alimentar apareceu. As bolachas (e demais lanches como sanduíches, pipocas e chocolates) eram minha única companhia e fonte de prazer.
Comer ficou associado à fuga de uma realidade triste, e à companhia e ao afeto, pois eu sentia carinho e amparo naquele lanchinho que estava comigo naquelas tardes, e me deixava mais feliz.

O tempo foi passando e muita coisa aconteceu. Mudei de ambiente, fiz amigos, emagreci, tornei-me uma pessoa feliz. Não lembro mais aquela gordinha triste, quieta e solitária. Tanto que muitas pessoas nem imaginam que eu sofra com a compulsão alimentar.
Mas ainda tenho muito o que resolver em minha vida. Por mais que eu esteja feliz e rodeada de amigos, ainda tenho tristezas, inseguranças, decepções, ansiedades.
E ainda vejo a comida como minha válvula de escape.