Não sei direito a origem da minha compulsão alimentar. Lembro muito pouco da minha infância, talvez por ela ter sido tão triste que o melhor mesmo fosse se eu não lembrasse de praticamente nada.
O que sei é que, quando bebê,eu não aceitava os alimentos. Minha mãe chegou a achar que eu fosse morrer, pois tudo o que ela me dava era posto para fora. Até que ela começou afazer umas sopinhas e eu aceitei. Aceitei bem demais, inclusive, e desde então passei a ser "boa de garfo".
Minha irmã, ao contrário, era bem seletiva, e comia pouca coisa. Percebi, atravésda minha terapia, que talvez eu comesse bastante para agradar meus pais e mostrar que eles não precisavam se preocupar comigo, já que em muitos outros aspectos eu semprei dei muito trabalho e preocupação.
O tempo foi passando e, como já era previsível pelo meu histórico alimentar, tornei-me uma adolescente gorda. Não sei se cheguei a ser obesa, acho que não, mas era muito gorda. Esse foi um dos fatores agravantes para que eu não fosse aceita em meu colégio. Pela minha aparência física, fui discriminada e isolada.
Assim, como não tinha amigos e era muito triste, passava minhas tardes assistindo TV e comendo bolachas recheadas. Acredito que foi nesse momento que, de fato, a compulsão alimentar apareceu. As bolachas (e demais lanches como sanduíches, pipocas e chocolates) eram minha única companhia e fonte de prazer.
Comer ficou associado à fuga de uma realidade triste, e à companhia e ao afeto, pois eu sentia carinho e amparo naquele lanchinho que estava comigo naquelas tardes, e me deixava mais feliz.
O tempo foi passando e muita coisa aconteceu. Mudei de ambiente, fiz amigos, emagreci, tornei-me uma pessoa feliz. Não lembro mais aquela gordinha triste, quieta e solitária. Tanto que muitas pessoas nem imaginam que eu sofra com a compulsão alimentar.
Mas ainda tenho muito o que resolver em minha vida. Por mais que eu esteja feliz e rodeada de amigos, ainda tenho tristezas, inseguranças, decepções, ansiedades.
E ainda vejo a comida como minha válvula de escape.
domingo, 1 de abril de 2007
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